a so called blog


It’s not my revolution if I can’t dance to it.
June 26, 2009, 21:04
Filed under: Causes

Há 40 anos atrás, algo comum ocorreu. A policia fez uma rusga a um bar gay. Porquê? Apenas pela conotação gay.

Inicialmente tudo correu como previsto. Os policias anunciaram a sua presença, pediram os documentos aos presentes, e os clientes eram acompanhados ao exterior, alguns eram encaminhados para uma carrinha da polícia. Mas, de repente, os clientes que tinham sido expulsos, decidiram responder. Primeiro começaram a atirar moedas aos policias (uma referência aos subornos que a policia era conhecida por receber), depois garrafas, pedras, tudo o que estivesse perto.

Enquanto isto acontece, a palavra percorre toda a Greenwich Village, e centenas de homens e mulheres homossexuais, brancos, pretos e hispânicos juntam-se à revolta. E foi assim que começaram os motins de Stonewall. A origem das marchas de orgulho homossexual. Orgulho por oposição a vergonha. Orgulho por oposição à invisibilidade.

Porque é que foi apenas na madrugada de 27 para 28 de Junho de 1969 que houve esta reacção? Será que isso é assim tão relevante? É de facto esta a data em que o movimento LGBT tomou a forma que tem agora. Foi porque umas centenas na Greenwich Village em New York decidiram que bastava. Que existiam, e não era por causa de quem amava que eram menos que os outros. E é por causa dessas centenas que neste momento, as marchas LGBT existem. Não porque os homossexuais querem mais direitos que os outros, mas apenas porque querem os mesmos.

Agora, tanto tempo depois, ainda faz sentido que isto aconteça. Infelizmente. Em Portugal, ainda não é possível casar. Em Portugal, um casal estável não pode adoptar, apenas por serem do mesmo sexo. Em Portugal, em alguns sitios, os homossexuais não podem dar sangue.

Passaram 40 anos desde os motins de Stonewall Inn, e 39 desde a realização da primeira marcha, no entanto, em Portugal ainda precisamos de um dia em que os homossexuais saiam à rua e exibam esse rótulo com “orgulho”, que é como quem diz, sem vergonha.

Com música.
Com barulho.
Com gargalhadas e sorrisos.
Com alegria.

A pedir uma revolução sem sangue nem lágrimas. Somos apenas mais uns, mas somos diferentes. Todos diferentes, mas todos iguais.

“We’re here, we’re queer, get used to it.”


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