Filed under: personal
Um post em português. De vez em quando lembro-me e faço uns destes, já deviam estar habituados. E este vai ser um daqueles posts em que me queixo da minha vida e peço ajuda.
Ora bem, a situação em minha casa parece não ter meio de melhorar. Volta não volta, levo com uma crise da minha mãe, sem perceber muito bem porquê. A de hoje foi porque lhe disse que queria comprar uma tenda ligeiramente maior. Segundo ela, eu só quero uma tenda maior porque vou dar a minha a alguém. A minha que acabei de descobrir que não é minha, mas sim dela. A minha tenda é um bocado pequena, na minha opinião, e na opinião da minha namorada, e eu queria comprar uma maior porque pah, uma semana lá dentro com as coisas para esse tempo, é para a tenda actual ficar tipo ovo.
Mas a conversa acabou por descambar e voltou a tudo o que se passou há um mês atrás. Tudo porque ela não acha que o que eu lhe disse que aconteceu não é real. Tudo porque não lhe dei um motivo que na cabeça distorcida dela seja válido.
E sou má filha, porque não falo com ela. Claro que sempre que tento falar levo com os preconceitos dela contra os meus amigos, contra todas as minhas intenções e capacidades. Preconceitos esses que não me lembro de existirem mesmo quando eu tinha os meus 10 anos.
E desvio sempre o assunto para lhe dar a volta. Sim, porque eu não tenho mais nada para fazer, e sou sempre eu que levo o assunto para outros lados.
E tudo o que faço é para a magoar, mas ela nunca fez nada que me magoasse a mim. Obviamente que o estar a auto-destruir-se em casa, isolando-se e ignorando toda a gente que gosta dela não me deveria afectar, it’s none of my damn business after all.
E pronto, parece que sou a real merda. Mas isso também não é novidade, mas parece que já o sou há uns 2 anos. Sim, porque antes de ter amigos era a filha perfeita. (e sim, isto foi-me dito hoje)
AH, e se a conversa do curso volta a surgir, tou avisada que nunca mais me paga nada que tenha a ver com o dito. Não me paga o passe de metro, não me dá dinheiro para almoços, não me paga propinas. Resumidamente, fico sem hipótese de estudar. Admito que no momento em que ela disse isto pela primeira vez (sim, porque a minha mãe tem tendência a repetir-se no mínimo 3 vezes, normalmente mais), apeteceu-me responder-lhe ‘então fá-lo já’.
Mas não lhe respondi, e às vezes pergunto-me o porquê de ainda estar aqui. Gostava de saber de que é que estou à espera para sair daqui. Quer dizer, na verdade eu sei o que é. Eu não sou estúpida, sei perfeitamente que acabar este curso é algo que, posto num currículo, o valorizará. Tenho plena consciência disso. Mas pedirem-me para o fazer com um sorriso nos lábios, eu acho mesmo que é um exagero.
Se calhar sou eu que sou extra sensível, mas a verdade é que este curso é mesmo algo que me custa fazer. Por conselho do psicólogo, ando a tentar simplesmente pegar nos livros e estudar, sem pensar muito que estou a estudar. Se tem resultado ou não, não sei, mas tenho tentado. Não acho justo estarem-me sempre a atirar à cara que se estou nesta situação é por culpa minha, e que tenho que aguentar e gostar. Não acho mesmo nada justo. Como não acho justo estarem-me a dizer que me deram hipótese de mudar de curso há 4 anos atrás e há 2, quando a hipótese foi posta mas com um ar de desaprovação. Será isso mesmo uma hipótese dada?
Esta situação torna-se insuportável ao ponto de chorar várias vezes no comboio a caminho de casa. Eu sei que a minha mãe não sabe o quão mal está, e não vê o ambiente que cria à volta dela. Mas eu não sei até que ponto é que será justo para mim aguentar isto. Eu não sei nem consigo falar com ela, honestamente já nem quero nem me esforço. Acho que estou simplesmente a aguentar esta situação até ela rebentar. E cada vez mais peço que rebente depressa.
E não sei se percebi bem, mas acho que nas férias não vou ter qualquer tipo de mesada pelo que terei de arranjar um emprego. Mas não tenho a certeza do que foi dito. E trabalhar não me assusta. Mas pergunto-me até que ponto é que aguentarei estar nesta casa com este ambiente de tensão velada.
Estou a menos de um mês do meu 23º aniversário. Muita gente com a minha idade estuda, trabalha e ganha para se sustentar. E eu continuo aqui, a ser tratada como uma adolescente dos seus 16 anos. Aparentemente o meu comportamento é de alguém com essa idade, não tenho noção da realidade, não tenho consciência do que é a vida, nem planos para ela Mas eu acho que tenho. Eu não quero uma carreira brilhante, quero apenas um emprego razoavelmente bom, de preferência na área que gosto. É pedir assim tanto?
Se alguém tiver algumas palavras que me ajudem, por favor, comentem.
7 Comments so far
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Mais uma vez vou dizer o que acho relativamente à tua situação. Vou ser crua e dura portanto peço desde já desculpa se disser alguma coisa de incorrecto ou injusto ou se se de alguma forma eu parecer mais bruta.
Comment by pincushion April 12, 2007 @ 00:18A tua mãe sofre realmente de uma perturbação mental muito grande.. e além de grande muito grave. A meu ver se ela não procurar ajuda o mais depressa possivel a situação só tem tendência a piorar. Cada vez vai piorar mais para o teu lado, para o lado do teu pai e claro.. sempre para ela e para o seu estado. Quanto mais tarde, pior será. E o que eu acabei de dizer não é grande tanga. É um facto. Assim como dois e dois serem quatro.
Agora é a parte que tu me dizes que ela não se vai aperceber de que precisa de ajuda psiquiátrica, logo não vai querer. Sim eu sei que é provável que isso aconteça. Mas ai é que tu vais ter e batalhar para inverter a situação. A melhor forma de o fazer? Não sei. Sou-te honesta. Mas uma coisa te garanto.. não podes deixar as coisas continuarem nesta forma. Informa-te, pesquisa, fala com o teu psicólogo, faz perguntas. Existe alguma forma de obrigar a tua mãe a tratar o estado dela? Procura sobre isso. Não existe? Continua a procurar. Alguma coisa deve ser possivel fazer. Não tenhas receio se algum dia tiveres de avançar para algum possivel tratamento dela. Eu sei que é tua mãe, eu sei que é complicado apesar de toda a revolta que estás a sentir, mas a verdade é que não existem mais soluções para a situação melhorar de vez.
Fora isso já sabes o que eu sinto. Não acho que estares onde estás te esteja a trazer nenhum tipo de beneficio.
Eu continuo a achar que uns tempos fora daí te fariam muito bem. Mas se é tão impossível assim ou se apenas tornaria as coisas piores então não sei mesmo o que mais te possa aconselhar a fazer.
Eu espero sinceramente que ela algum dia tome consciência que precisa de tratamento. Ou não vejo as coisas a terminarem em bom porto.
Infelizmente o que a Mafalda disse é bem verdade. Não que tu já não o soubesses, não que o teu pai já não o soubesse, não que a tua família também já não o saiba. O mundo em que a tua mãe quer viver não existe para além da sua própria cabeça. Não lhe é saudável, nem, por conseguinte, aos que a rodeiam. Ela aperceber-se do problema dela? Não vai. Que caminho deves tomar? Algum em que a ajuda do teu pai, a ajuda da tua madrinha, a ajuda de outros entes que lhe sejam queridos, vão ser mais que necessária. Não consegues lutar sozinha contra isso, apesar de aguentares quase sozinha toda esse sofrimento. E sim, fala com o teu psicólogo, eu acredito que ele próprio te ajudará a encontrar uma solução, para ti e para o teu seio familiar. O apoio dos teus amigos, tu isso, sabes que tens sempre!
Comment by denmarkknight April 12, 2007 @ 09:51Pois… Eu sinceramente não te posso dizer o que faria se fosse tu, mas… No meu caso ou situação, eu já teria saído de casa. Isto se tivesse (e eu, no meu caso, felizmente sei que tenho, e é de lhes dar valor por isso) amigos do coração e verdadeiros que me dessem estadia e me deixasses organizar a vida até o curso acabar, pelo menos. É o que eu faria.
Muito sinceramente, eu gostava de me sentir mais “ligado”/attached à minha família, mas… Não o sinto (pai e mãe). Sinto mais à minha irmã ou à minha afilhada, por exemplo. Mas isso é outra história.
Eu desaparecia.
Mas, no teu caso, se isso não é possível, aconselho-te vivamente a seguir a hipótese da pincushion, que acho bem razoável e aceitável. Mas não descarto o desaparecer – pelos menos por uns dias.
Beijos*
Comment by Vítor April 16, 2007 @ 14:42Já estou como a (espera que vou ver o nome
) pincushion: “Vou ser crua e dura portanto peço desde já desculpa se disser alguma coisa de incorrecto ou injusto ou se se de alguma forma eu parecer mais bruta.”
Antes de mais, não percebo porque raios o é de “aceitação geral” que o cerne deste assunto é a tua mãe. Pelo menos tudo o que aqui é escrito bate sempre nesse ponto.
Não é, e não devia ser só eu a ver isso.
A vida é tua, e se te sentes como se tivesses 16 anos, talvez seja altura de te perguntares o porquê de tal. Ninguém nos trata seja de que forma for, a menos que tenha a nossa permissão (e não vou estar para aqui a debater se é mais ou menos consciente, pq isso não te ajuda nada) para tal.
It’s that simple.
As pessoas (e com “pessoas” refiro-me a nós todos) têm a tendência de escolher esquecer a maior verdade: há sempre uma escolha. Pessoal e intransmissível. E, de cada vez que não a tomam, escolhem um caminho de revolta, de amargura e por vezes, até de arrogância compensadora dessa cobardia.
Não falo de ti. Já deixei de “falar dos outros” (leia-se pregar conselhos vãos) há muito. Falo do que sei e do que fiz ou demorei a fazer.
Há muito mais “blá blá blá” (e se calhar até conseguia escreve-lo de forma profunda e convincente), mas a verdade é que não interessa.
A única coisa que te quero deixar é uma msg (ou um abanão, whatever) para que não te esqueças que a escolha é sempre tua. Porque, plain and simple, a vida é tua. O resto… vai ser sempre o resto.
End of story.
Comment by Scorpio_Angel April 17, 2007 @ 00:07Não é que eu não concorde com o ultimo comentário que foi escrito mas a verdade é que no caso dela não é tão simples assim manter a postura de “Ninguém nos trata seja de que forma for, a menos que tenha a nossa permissão”. Eu sei isto de conversas e sei isto porque sei o quanto a Sara luta imensamente exactamente para chegar onde tu disseste. Mas a verdade é que a situação é ainda mais rebuscada do que as pessoas imaginam.
Mas sim.. apesar de ter sido difícil eu sei que tu, Sara, tens mantido a tua posição e que por causa disso tens tido a tua vida tornada num verdadeiro inferno, mas pelo menos um inferno com dignidade.
Alguma coisa há de surgir.. eu sei que o ambiente familiar não te anda a favorecer no que toca a esse assunto mas eu sei que eventualmente alguma solução há-de surgir.
Fora isso continuo a manter o que disse anteriormente. Mas com a tal dignidade.
Amo-te ***
Comment by pincushion April 17, 2007 @ 00:33Comentário para a pincushion:
Não é que eu não concorde com o último comentário, mas nunca é “tão simples assim”. Nunca.
A diferença está no envolvimento que temos na situação em causa, e consequentemente o quão tendenciosos somos perante ela e as atitudes dos envolvidos.
Relativamente à dignidade, de facto não podia concordar mais sobre a sua necessidade. É quase tão grande quanto a da coragem.
E também é provável que os nossos comentários divirjam, assim como diverge a nossa noção pessoal de Apoio (nada que não tenhamos já debatido).
Mas estes comentários são só palavras, cuja importância é sempre relativa. Não é isso que nos define (feliz ou infelizmente, conforme a perspectiva), mas sim os nossos actos. Estás “careca” de me confirmar isto mesmo.
Escrito isto, espero que compreendam (este parágrafo estende-se à Sara) que só respondi no blog pela estima que vos tenho. De facto (como sabem bem) prefiro expressar-me pessoalmente.
Alguma palavra que soe mais brusca, passa por este ponto e também pelo que já referi relativo aos diferentes modos de demonstrar empatia/amizade/apoio/etc, não à falta de compreensão ou frieza nas emoções.
:*
Comment by Scorpio_Angel April 17, 2007 @ 23:18roger that
Comment by pincushion April 19, 2007 @ 23:29